Escapismo Cinéfilo: Rios de Sangue

Nem todo mundo irá apreciar este trabalho de Adam Mason; Afinal, não é o típico filme de terror, não é o costumeiro serial killer e, definitivamente, o bem e o mal residem no inesperado. A história toda é montada num cenário desértico belíssimo e devastador, o qual complementa muito bem as reviravoltas, as sutilezas, até a violência que compõe esta trama complicada onde nada é o que parece ser. Uma película para os que gostam de divagar, não se incomodem de ler simbolismos e muito menos temam ter de analisar os detalhes irritantes de cada cena.


Sinopse:
Com a intenção de levar a boa notícia - a espera de seu primeiro filho - a família no Arizona, um casal viaja quando, no meio do deserto, sofrem um acidente. Procurando auxílio, vão até a cidade mais próxima - Blood River. Lá encontram o misterioso cowboy Joseph. Aos poucos segredos são revelados e uma batalha trava-se.


Ficha Técnica:
Título Original: Blood River
País: Estados Unidos
Gênero: Terror e Suspense
Ano: 2009
Diretor: Adam Mason
Elenco: Todo o elenco e a equipe pode ser visto AQUI; Os principais são


Ian Duncan - Clark


Tess Panzer - Summer

Andrew Howard - Joseph




Prêmios:
  • Honolulu International Film Festival: Vencedor do Prêmio do Júri na categoria Melhor Ator para Andrew Howard.
  • New York VisionFest: O ator Andrew Howard ganhou o prêmio como melhor performance revelação.
  • New York Vision Fest: Venceu na categoria de melhor Cinematografia.

Crítica:
Num chuvoso domingo insosso, de nostalgia, de pseudo-depressão, quando a televisão está mais vazia que de costume e nada mais lhe agrada a não ser curtir uma preguiça, o que resta a fazer? 

Bom, eu levantei do sofá, ajeitei-me um pouco e parti para a locadora de filmes mais próxima. Não estava no clima de assistir algo meloso ou mesmo uma comédia  nonsense; Pensei então partir para a linha de um terror. Só que temia esbarrar em mais um clichê, repleto de falhas e  sem um final recompensador. Eu queria ver um bom filme.

Percorrendo por entre as várias sessões e gêneros, nada parecia saltar aos meus olhos; Até o momento em que esbarrei com um filme de capa razoável, sinopse confusa e com uma lista de premiações e indicações em festivais um tanto quanto underground, como o Honolulu International Festival e New York VisionFest.

Resolvi arriscar-me. E não é que a surpresa resultou em agradável? Não entrou para minha lista de preferidos, mas conseguiu manter-me cativa com uma análise bem inusitada do juízo final.

Não é toda a película que consegue me impressionar, principalmente no quesito originalidade.  De modo geral, até posso gostar do filme e elogiar aspectos dele, sem que o mesmo realmente me cause algo além. Principalmente quando o assunto é blockbusters, os quais muitas vezes divirto-me assistindo sem nada incitarem. É preciso uma boa edição, uma história convincente, uma análise a mais, um pouquinho além. Talvez eu estivesse aberta ao que se seguiria na tela, ou simplesmente cansada demais do óbvio, ou por mais alguma variável que no momento escapa-me... Blood River de Adam Mason convenceu-me.

Primeiro, ressalto: 
  1. As sinopses encontradas sobre o filme não condizem com a história, há falhas claras que podem conduzir o telespectador de maneira errônea. Então, não dê muita atenção a elas não. 
  2. Não se engane: O filme tem violência, mas nada trash ou exagerada. Não espere sangue e mais sangue.
  3. Achei que o filme é vendido como um suspense/terror; Todavia, é mais um thriller dramático; Principalmente se a pessoa consegue captar - o que julgo ser - o objetivo do diretor.
  4. É um filme com cara de independente, com uns bons cortes de câmera e não pretendendo ser uma obra prima. Portanto, não há motivos para ansiar pelo melhor filme já feito ou algo tão sensacional e surpreendente. É sim um trabalho interessante e que merece ser visto e pensado.
Dito isto, vou contar um pouquinho mais sobre a história, as reviravoltas e minhas impressões:

Um casal dirige-se por uma paisagem árida e quente. São os anos finais da década de 60, nenhuma alma a vista, até que passam por um estranho Cowboy que caminha solitário por entre aquele cenário. No rádio a entonação de sermão, falando sobre os males da humanidade, quase soando como um exorcismo, completa o incômodo causado pela cena. O casal aguarda o nascimento do filho e viajam rumo a casa dos pais dela para contar a novidade.

Mais a frente o pneu fura e os mesmos sofrem um acidente. Ao procurarem o step, dão-se conta que o mesmo não mais se encontra no porta-malas. Sem escolha, dirigem-se até a cidade mais próxima: Blood River. Onde novamente encontrarão aquele estranho peregrino. A partir deste ponto é que a história começa. 

E se for ler por isto você já imagina que o dito estranho é um maluco serial killer e que os dois são obrigados a escapar dele para saírem com vida, não é verdade? Aí é que se equivocam. Durante todas as cenas há pistas, inclusive as falas mais confusas são coerentes, é só prestar atenção aos detalhes e ao não dito.
O filme, como eu disse, é uma espécie de releitura do juízo final. Retrata a maldade humana - sem impor a culpa em demônios ou terceiros -, os pecados, a teimosia, o livre-arbítrio, o bem e o mal, assim como a busca pela verdade, pelo arrependimento, pela libertação. Independente de preceitos religiosos, de crenças, de ideais, curta visão do cineasta. Se o tom imposto pelo cowboy soa cruel, o que se tem na realidade, no segredo ansiando por revelar-se é muito mais pesado e obscuro.

Todos os atores são bons e não conhecidos do grande público. Destaco a atuação de Andrew Howard no papel de Joseph, ele está FANTÁSTICO! Impressionante como em uma personagem que é e não é vilão o ator consegue transmitir esta exata dualidade sem pender para nenhum dos lados.

A finalização do filme não é "redonda", "bem explicadinha", ela deixa em aberto para análises pessoais, alguns pontos não são revelados e outros são soltos sem clareza. Contudo, isto não me incomodou. Acho que foi feito na intenção de deixar a pessoa confusa e pensando nos detalhes, nas sutilezas, na verdade.

Vale a pena conferir!

Caso você já tenha visto o filme e queira "discutir"  os detalhes, ENTRE AQUI.

Classificação:


Onde Encontrar:
Por ser uma película mais recente, é possível encontra-la com certa facilidade nos sites listados abaixo nas seguintes opções:

Trilha Sonora:
Não consegui encontrar informações sobre a trilha sonora, se alguém souber, agradeceria saber maisBom, atendendo a este meu pedido, agradeço Bruno do blog Foguetório que nos comentários deixou o link para um vídeo com uma das canções - por sinal ótima - do filme; Gracias! Segue:





This entry was posted on 22 de ago de 2011 and is filed under , , , , , , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 . You can leave a response .

12 Responses to “ Escapismo Cinéfilo: Rios de Sangue ”

  1. é muito bom esse filme.

    comente e siga também.

    www.artdojogo.blogspot.com

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  2. Uhh, filmes de terror! Eu adoro desde de que eles sejam bem feitos e esse parece ser :D

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  3. Nossa, Karla, a resenha me prendeu e impressionou. Não sou chegada a climão de faroeste, mas fiquei curiosíssima a respeito da natureza dos fatos, especialmente do desconhecido que é o vilão e não é. Vou procurar o filme. Beijos e sucesso no blog!

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  4. Sua resenha foi muito boa, adoro filmes de faroeste, cowboys, acho muito interessante. Andrew Howard é u ótimo ator e aposto que filmes assim faria uma bela atuação. Não se já ouviu falar karla mas estou esperando lançar Cowboys Vs Aliens pra eu ver o filme deve ser muuuuuito bom *-*.

    Abraços!

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  5. Ainda não vi...mais vou assisti no próximo final de semana e depois conto o que achei...

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  6. Olá!
    não curto este tipo de filme,
    mas gostei da sua visão em relação a trama que se desenvolve nesse suspense.
    Sucesso!

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  7. Nossa, vi o trailer... que filme tenso rsrs
    Parece ser bom, mas bem tenso...

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  8. Pareceee seer mt boom.. =)

    Passa lá!

    http://echidellanima.blogspot.com/

    Beeijos *-*

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  9. pelas palavras e trailer, vou conferir =D

    sigo teu blog já, beem bacana \o/

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  10. Esse filme sim podemos retirar vários exemplos da sociedade atual

    ja ouvi falar bastante nele e conheci melhor pelo seu post

    vlw beijos

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