Sábado, 17 de Maio de 2008


O vestido escorrega na pele,
Alva de amores,
Levemente tratada pelo perfume de cereja.
Um toque de blush.
Soltando os cachos escuros,
De um olhar confuso armo-me.
O que terei de errado
Além da óbvia inseguança?
Como ser segura
Se nem amada fui?
Como permitir ser amada
Se ninguém é capaz de ousar?
O que está incorreto?
Coloco os brincos.
Salto alto.
Fito o espelho,
Sincero e mentiroso amigo.
Abro um sorriso,
Enquanto rezo para ser notada
Por alguém que me veja como mulher.
Mais do que amiga
Mais do que capacitada
Mais o que apenas um rosto atravessando as ruas.
Uma último olhada.
Saio.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008


Com os olhos fechados

E a boca rubra

Deleito-me com seu veneno.

Estremece minha alma,

Seduzindo meus sentidos.

Entre minhas unhas,

Sua cútis em pételas.

Do meu salto carrega-me.

Sou presa,

Sou vítima,

De um amor que não ama,

Mata com doçura.

Aniquila como um vício,

Que me permito provar.

Sou sua,

Sem mazelas,

Tatuada em seu ego.

Permaneço com meus retóricos "por ques".

Voltando ao começo.

Desfalecendo no querer-lhe.


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Desculpem a demora em atualizar aqui!! Com a minha monografia, está sobrando tão pouco tempo que, por vezes, fica difícil para eu me encontrar!!!


Outra informaçao: Agora o meu blog tem uma página inicial!! Acessem: Karla Hack




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Domingo, 4 de Maio de 2008

Born Bad

Chovia. Maya transitava pelos cantos imundos daquela cidade escura. Trêmula, vazia, sua roupa vulgar era chamariz para o perigo – alimento de sua existência. Não porque fosse profissão sua, era gosto mesmo. Somente sentia-se viva se dos limites saboreava.
O carro parou. Ofereceu-lhe um passeio ungido a álcool. Fervilhando o espírito sangüíneo de Maya; Aceitou, lacrando a porta da caminhonete.
- Pra onde, gata?
- Não me chame assim!
- Uhull... Arisca! Gostei. Como devo chamá-la?
- Não bebi o suficiente para criar um “apelido carinhoso”.
- Vodka?
- Claro.
Vira a garrafa como se aguardasse que tal néctar atiçasse sua implosão interna. - Calma com isto, garota.
- Acelera! – Manda com seus olhos fumegantes.
Riu-se o tolo motorista, encantado com a beleza angelical escondendo algo tão sombrio e intenso.
- PÁRA!!! – Gritou Maya com seus pulmões.
- O que é que deu, garota?
- Achei um apelido.
- Ta doida, é?! Me parou pra isso? Quer nos matar?
Aproxima-se do ouvido da vítima, cochichando:
- Hera Venenosa.
- Como?! – num suspiro.
- Você pode chamar-me de Hera Venenosa. Dizem que tenho o beijo dela.
Caçadora como é, deliciou-se com os pêlos eriçados da presa. Olhos nos olhos, the driver pergunta:
- E como é o beijo desta tal Hera Venenosa?
Puxa o rosto e beija-o com o fervor peculiar da expectativa. Respondendo:
- Depois do doce, seu veneno mata.
Traz para o pescoço dele sua adaga preferida e aniquila-o, sentindo em prazer de quem por natureza nasceu má. Empurrando o corpo para fora do veículo, liga o radio que torna sua conquista perfeita, ao som de Born Bad. Cantarola: “(…) I guess I was born, naturally born bad (...)”.
Mais alguns metros, abandona o veículo.
Refugia-se na penumbra (seu verdadeiro lar). Voltando para a residência sua, aos poucos sai da indumentária idolatrada. Limpa seu pecado na pia de mármore. Deita-se na desmedida cama cor-de-rosa. E sente que sua insônia fora curada. Sabe ela que pela manhã Maya não mais existirá, retornando ser a doce Cecília, incapaz de ferir um inseto.

Sábado, 3 de Maio de 2008


Estou calma.

Ressurge.

Numa avalanche sangüínea,

Acosto meu pranto.

Silêncio a que me resigno.

E, polida, respondo seus gestos

Com uma frieza medida.

Não mais permitirei

Do seu gosto

Ser prisioneira.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Sou

Sou história,
Daquelas que somente os néscios
Ousam balbuciar.

Sou canto,
Sem fim, um começo confuso,
Um desenvolvimento mais ainda.

Sou prosa,
Rolando pelas bocas frenéticas,
Cansadas das minhas várias versões inverídicas.

Sou apólogo,
Falante, pejorativo,
Sem agulha ou linha.

Sou estrofe,
Ritmada,
Por entre o cotidiano vagando por leveza.

Sou novela,
Capitular.
Primeiro – Nascimento.

E de outras diversas formas
Poderia eu definir meu ego.
Infrutífero seria.
Sou, em verdade,
Pura da mais pura poesia.
A essência dos sonhadores.
Poesia livre
Sensível
Passional
Daquelas que dos fonemas não se separam
Nem ousam da mente ir-se
Ou pelo coração desvanecer
Pelas sílabas
Pelas letras
Pelos detalhes
Que ao final hão de criar a tradução
Do que o homem é feito
Sou Espírito.