Brincando de Divindade

Por entre estas desventurosas jornadas pessoais, acordei ao som das palavras de Calvin Weir-Fields: 
"I'm sorry for every word I wrote to change you, I'm sorry for so many things. I couldn't see you when you were here and, now that you're gone, I see you everywhere." 

Quantas vezes esvaí as letras buscando prever seus passos, justificando seus sentimentos, criando circunstâncias quiméricas onde pudesse suprir uma realidade não satisfatória. Neste universo literário possuo o poder insensato de tê-lo sob as formas que me cabem cogitar. Nenhum defeito seu dura, nenhuma obscuridade persiste; Tenho na habilidade natural de lavrar a fuga das dores presentes. 

Eis-me aqui bancando a divindade, tentando proporcionar ao meu ímpeto uma perfeição fictícia. Nos trôpegos traçados de tinta, o platônico sentir fez-se confortável e as mazelas que um dia compuseram parte de sua nuance real, não mais atraem-me. 

Dos erros que cometi, o isolamento temoroso foi o maior. Escapista natural, deixei de aproveitar detalhes que hoje persigo em cada canto reflexo. Quem sou eu para conceber tamanha pretensão? Eu amava você por inteiro. Só hoje percebo. Vitimizei-me por alienação.

This entry was posted on 26 de fev de 2013 and is filed under , , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 . You can leave a response .

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." [ Michel de Montaigne ]

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