O Quarto da Bagunça


No silêncio devastador de um grito, perco-me neste longo corredor. Não há luz aqui, apenas uma poeira incômoda. Pé ante pé invado a escuridão, ainda que tema o próximo passo. Não há trajetos alternativos além deste sombrio e claustrofóbico espaço. Olho para trás e percebo-me distante da saída. Haverá uma saída? Tudo que pressinto é angústia. Tudo que sou é nada.

Eu sigo. Pisando em espinhos, anestesiada e minha vida torna-se branco e preto. Caminho, no entanto, em direção a asfixiante sujeira. Tropeço, afundo, rastejo em peças esquecidas do meu passado doloroso. Dou-me conta só agora que estou a uma pequena eternidade diante daquela infame porta. Atrás dela? Caos.

Na penumbra vozes torturam:
- Fuja daqui! Faça a dor sumir... Fuja!

Perante o portal insalubre da minha existência, cogito afogar-me no lamaçal obscuro. Não! Do que estaria desistindo se assim agisse? Talvez se eu abrir aquele maldito ambiente, talvez encontre uma resposta. Quem sabe não exista luz ali. Afinal, ainda me lembro de como é o universo quando iluminado pelo solar astro.

Enfrentando os conflituosos fantasmas internos, vou contra as possibilidades desejadas e inicio a faxina. Abro a massiva porta e por entre sabores desgostosos, vontades assassinas e carnificinas pessoais, ouso comprar a briga, jogar fora o inócuo, varrer para o lamaçal meus monstros, lavar o mal impregnado. Aos poucos o chão preto e branco ganha matizes. Visto-me com uma coragem inesperada, transmuto o caos.

O que eu teria perdido se tivesse fugido da luta purificadora? Quem diria que no meio daquela dolorosa faxina eu encontraria tantos detalhes poderosos de meu ser? Foram tantas recaídas, tantos machucados, tantas vitórias, tantas surpresas... Meu Deus, nem havia notado o quão claro está aqui, estou eu. Enquanto retiro o último obstáculo dou-me conta de que vocês se mantiveram aqui o tempo todo.

Neste quarto da bagunça, agora limpo, visualizo a imensidão de possibilidades do mundo. Sim, o lado mais bonito vive em mim.

P.S.: Meu Anjo, Sempre estarei ao seu lado, Acredito em você!



Confira o texto também no RECANTO DAS LETRAS.


This entry was posted on 14 de fev de 2013 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

11 Responses to “O Quarto da Bagunça”

  1. Nossa, você escreve de uma forma que realmente envolve a gente. Realmente, tem pessoas que enfrentam o passado, pois querem saber o quanto cresceram com ele, e os que não enfrentam, esquecendo que ele existiu. Adorei seu texto, pois falou de uma dessas formas.
    http://lollyoliver.wordpress.com/

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  2. Frases otimas rimadas e com sentido muito bom gostei do estilo contraditorio de certas frases e claro as partes um pouco sombrios deram um toque bem interessante PARAbENS

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  3. Envolve e muito. Gostei do texto, gostei do blog, gostei de tudo...

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  4. parabénns
    ta lindo aqui..
    shooooow!

    http://www.hrdoblush.com/

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  5. Mais um otimo texto, como de costume. A parte que mais gostei foi o final, pois implicita uma mudança de percepção e claro possibilidades...

    Abraço.

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  6. Adorei o visual do blog, nossa, muito bonito. E parabéns pelos contos :D abr
    http://blogpapodeblogueiro.blogspot.com/

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  7. Cara... Que texto incrível
    Confesso que logo quando lí o título pensei que fosse o MEU Quarto
    KKKK
    PARABÉNS karla :)

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  8. Muito legal Karla, seu trabalho é excelente ;D

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  9. que liiindo
    eu ja tinha lido outras vezes seu outro blog, que tbm gostei, mas esse texto... apaixonante!
    parabens!

    http://mova-me.blogspot.com/

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  10. Nossa, que lindo. Parabéns...
    Seu texto tem muita sensibilidade!


    http://aprendendoaviver1.blogspot.com/

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." [ Michel de Montaigne ]

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