Certos Dias

Tem certos dias em que se sente
Que o mundo, na verdade, é pouco
Um pequeno universo do tamanho do ego,
Da solidão, de uma pessoa.
Tudo se assemelha ao vácuo.
Sem ruídos bons,
Sem barulhos maus,
Sem nem mesmo luz.
E uma tristeza arrebata a mente.
Como a certeza de que o paraíso é distante, inalcançável.
Que por mais passos dados, mais anos corridos,
Mais quilômetros marcados, ele voa.
Deixando o frio de um inferno desiludido.
Tem dias, certos dias,
Que o coração apenas fica partido
Por nunca de uma extasiez ter degustado,
De um amor a dois reconhecido.
Aniquilado pelo silêncio da graça que fugira.
É quando se perde as esperanças nas lágrimas que nem mais consegue derramar,
Que um baixo sino soa.
Primeiro, difícil de acreditar.
Primeiro, miragem.
Primeiro, receio.
Primeiro, encarar.
De repente, no dia em que cansou,
O paraíso freia sua fuga.
Por entre a mistura de olhares, gestos, risos..
Um resgate.
Sons ruins
Sons Saborosos
Será aquilo que aguardara?
Têm certos em que se sente
Que o mundo, ai o mundo,
É do tamanho de dois, é muito.
Nestes dias, uma certeza assenta-se.
O céu está na terra.
A terra já é o céu.
No limiar em que a extasiez não sabe onde romper-se,
Permanecemos nós.
Caminhando em rumo ao calor.
Abandonando o frio imenso de um coração partido.


Confira o texto também no RECANTO DAS LETRAS.



This entry was posted on 23 de mai de 2011 . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 . You can leave a response .

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." [ Michel de Montaigne ]

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