Born Bad - Em um Bar Qualquer

Luzes paralisavam os movimentos, ainda estava entorpecido pelo beijo asqueroso de uma estranha – totalmente sem química – e abarrotado pelo sabor etílico. Resolve dar uma volta, caminhar na multidão de rostos comuns. No fundo, uma batida estranha que nem pensava em reconhecer.
Havia uma névoa fedendo a cigarro e afins, atravessando o trajeto das criaturas da madrugada tem uma visão: Um anjo de rosto terno. Era Maya. Aproximou-se com suavidade, temia que aquele etéreo ser fosse afugentado pelo movimento. Próximo ao ouvido dela suspirou:
- Existe alguma possibilidade de você querer me conhecer?
Girando-se em direção a ele, fitou os traços pesados de homem. Levando sua delicada mão até a barba mal-feita do outro, disse:
- Para que me conhecer se o que eu mais quero é cair nos braços de um estranho esta noite.
Excitou-se com a idéia. Temendo que fosse jogo, retrucou:
- Seria este um jeito de se livrar de mim? Eu daria uma resposta impensada, você responderia com uma frase feita e eu permaneceria com todo este êxtase interno, vendo você ir-se com meu orgulho?
- Duvida de minhas intenções? – Capciosamente responde a dama, beijando a nuca dele, arranhando seu peito.
E no descontrole que algumas doses de tequila podem causar, tomou-a em seus braços e provou de uma viagem que a muito entorpecente algum lhe dava. Regojizou-se nos beijos daquela boca faminta. Seus atos em nada complementavam a doçura da pele jovial da garota.
Enquanto ele adorava a experiência do pecado, ela parecia nada sentir. Calculando seus passos, sussurrou:
- Vamos até meu carro.
Puxando-o pelo braço, esqueceu ele de mencionar para alguém a sua saída. Impossibilitado de pensar, graças à luxúria, esqueceu de desconfiar de alguém tão incrivelmente afetuoso. Dando a partida no carro, acaricia a perna dele próxima ao seu sexo:
- Vamos para um lugar mais íntimo.
- Eu simplesmente não consigo crer que isto seja real! – Extasiado – Ao menos me dê um nome, qualquer nome.
Naquele instante sentiu uma pontada de pena pelo tolo homem que cativara, não era como sua última vítima, era mais puro. Dó esta que passou no instante em que relembrou da burrice, da cegueira, atrelada ao desejo.
- Você pode me chamar de... – Pausa reflexiva – Adália.
- Adália?! Jurei que seu nome seria mais ...
Frenagem rápida. Encosta o veículo no meio do nada. A escuridão assemelha-se a uma sinfonia para as veias insaciáveis de Maya. Acosta-se no banco, retira seu casaco preto e ajeita-o no colo. Sabia que precisaria dele próximo a sua mão. Sua alva cútis amostra atraía o olhar da masculina presa. Chegando à boca dele, falou:
- Adália significa ‘aquela que exala perfume’.
- Então combina perfeitamente.
- Sabia que existem perfumes que são capazes de hipnotizar os homens a ponto de eles se sentirem obrigados a agirem conforme os mandos da dona da fragrância?
- Eu a seguiria até o inferno.
Do bolso do seu casaco puxou a adaga com esmero. E; no quase beijo, no abraço perfumado; cravou-a em fatal lugar. Durante o alívio de caçadora, cochichou:
- Boas Notícias: Nos vemos lá!
Retira a lâmina ensangüentada. Larga o carro lá mesmo. Havia uma trilha – praticamente imperceptível – entre àquelas duas árvores até a fazenda de sua família. Uma bela caminhada noturna far-lhe-ia bem. Vestindo o casaco, pôs-se rumo a sua docilidade diurna.

Confira o texto também no RECANTO DAS LETRAS.



This entry was posted on 23 de mai de 2011 . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 . You can leave a response .

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." [ Michel de Montaigne ]

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