A Porta

Quando foi que eu atravessei aquela porta? 
Atravessei a porta? 
O que vejo é ela encostada, E
u diante dela 
Sem reação alguma. 
Tento abrir – pesada demais. 
Tento fechar – falta coragem. 
Espiono uma vida que não é mais minha; 
Deparo-me com você retornando o olhar curioso. 
Decido seguir, 
Mas, por mais que me distancie, 
Volto sem fôlego para uma última checada. 
Não há como fugir deste ciclo, 
Deste amor mal resolvido
 Que nós dois deixamos de viver cedo demais. 
Algumas vezes 
Estou escorada, 
Sentada na beirada, 
Ouvindo sua voz 
E a conversa nasce, 
Os risos preenchem a escuridão.
 Iludo-me. 
Quebro-me. 
Toda vez que o sinto ir para longe 
Rezo, quieta, para que feche a porta de vez, 
Libertando-me. 
Você sempre volta, 
Sempre carinhoso, 
Sempre solícito. 
Como odeio ser tão fraca, 
Preferindo continuar com esta ferida aberta 
A extirpá-la. 
 Chega! 
Não agüento mais. 
Eu quero você 
Contudo, não o quero. 
Permita-me ir, 
Ser feliz, 
Ainda que distante. 
Pelo pouco que sobrou do sentimento, 
Feche a porta definitivamente. 
Não posso mais viver de restos.

Confira o texto também no RECANTO DAS LETRAS.



This entry was posted on 23 de mai de 2011 . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 . You can leave a response .

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"Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade." [ Michel de Montaigne ]

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