Em nossa história mundial muitas vezes lembramos de grandes homens que marcaram os dias; Contudo, a história não se baseia apenas do sexo masculino, muitas mulheres também assinalaram o tempo com atos de coragem, belas obras e muita ousadia. No Brasil não poderia ser diferente, a maioria das figuras históricas inicialmente recordadas são homens e, se não o são, acabam sempre sendo citadas as mesmas personas. Com isto em mente, resolvi falar de 5 mulheres que devem ser re/conhecidas por todos nós.
Maria Quitéria (1792 – 1853)

Nascida em Feira de Santana, na Bahia, era a filha mais velha de Gonçalves Alves de Almeida e de Quitéria Maria de Jesus. Como sua mãe faleceu muito cedo, acabou assumindo a árdua tarefa de cuidar dos irmãos e da casa aos 10 anos. Apesar de analfabeta, mostrou grande talento na arte da montaria e no manuseio de armas. Por conta de seus instintos guerreiros, ao saber da insurgência contra a independência brasileira pelos portugueses, pediu ao seu pai a permissão para seu alistamento - o qual por óbvio foi negado. Assim, jovem refugiu-se na casa da irmã e com ajuda de seu cunhado vestiu-se de homem a alistou-se com o nome de Medeiros, no Batalhão dos Voluntários do Príncipe. Desta maneira, foi a primeira mulher a ingressar nas Forças Armadas. Por muitos é considerada como a Joanna D’Arc brasileira. No tempo em que lutou, destacou-se durante as batalhas para a consolidação da independência brasileira pós 1822. Nas batalhas contra os portugueses, a militar tornou-se exemplo de bravura, sendo condecorada pessoalmente pelo imperador D. Pedro I com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, em 1823.
Bertha Lutz (1894 – 1976)

Uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil. A filha de Adolfo Lutz, era zoóloga de profissão. Estudou ciências naturais em Paris, na Sorbonne, com especialização em anfíbios anuros. Ainda na França, adquiriu grande consciência feminista. Em 1919, já de volta ao Brasil, Bertha Lutz buscou a igualdade de direitos jurídicos entre os sexos e tornou-se a segunda mulher a ingressar no serviço público, tornando-se secretária do Museu Nacional do Rio de Janeiro. No mesmo ano, fundou a Liga para Emancipação Intelectual da Mulher. Foi a fundadora da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, em 1922, após ter representado o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos Estados Unidos, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Também fora eleita suplente para deputado federal em 1934, sendo que em 1936 assumiu o mandato. As principais bandeiras de lutam eram mudanças na legislação trabalhista com relação ao trabalho feminino e infantil, e até mesmo a igualdade salarial.
Leila Diniz (1945-1972)

Frase célebre sua: "Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo". Já nesta frase é possível ver o tom revolucionário da jovem alegre, bela e livre. Num período de ditadura militar, esta reagiu prontamente às afirmações da atriz e decretou a censura sobre O Pasquim - jornal, além dela ter atraído a indignação nas feministas, em pé de guerra naqueles anos, que a acusaram de servir aos homens. Tornou-se atriz laborando tanto desde no Teatro ao Cinema. Destaque para o seu trabalho baseado no romance de Antônio Callado, "Madona de Cedro", foi um de seus melhores momentos, sob a direção de Carlos Coimbra. Leila Diniz quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava o Brasil. Escandalizou a tradicional família brasileira ao exibir a sua gravidez de oito meses, na praia de biquíni e ao amamentar a filha Janaína diante das câmeras. Defensora do amor livre e do prazer sexual, irritou feministas tradicionais e se tornou símbolo da liberação feminina dos anos 1960 e 1970. Morreu em 1972, em um acidente de avião na Índia, no auge de sua fama. Voltava de um festival de cinema na Austrália, onde ganhara o prêmio de melhor atriz com o filme "Mãos vazias".
Cacilda Becker (1921-1969)

"A morte emendou a gramática / Morreram Cacilda Becker / Não eram uma só. Eram tantas..." Assim se manifestou o poeta Carlos Drummond de Andrade, por ocasião do falecimento dessa atriz, considerada uma das personalidades mais importantes da classe teatral brasileira e defensora da categoria na fase do regime militar de 1964. Sua estréia no palco foi em 1940 interpretando a personagem Gertrude na peça Hamlet, de Shakespeare. Em 1948, ingressou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), tornando-se a primeira atriz da companhia. Entre os principais trabalhos dessa fase estão Maria Stuart, de Schiller; Seis Personagens à Procura de um Autor; de Luigi Pirandello; Antígona, de Anouilh; Anjo de Pedra, de Tennessee Williams; Pega-fogo, de Jules Renard, entre outras. Cacilda assumiu a Presidência da Comissão Estadual de Teatro em 1968. Durante sua gestão, fez grandes conquistas e participou ativamente na luta contra a ditadura. Sua frágil aparência contrastava com a garra com que defendia seus ideais, seus amigos e o teatro. Em 6 de maio de 1969, durante uma apresentação, sofreu um derrame cerebral em conseqüência do rompimento de um aneurisma. Morreu aos 48 anos, depois de 38 dias em coma no Hospital São Luís, em São Paulo.
Luz del Fuego (1917- 1967)

Conhecida como a Bailarina do Povo. Nascida em 21 de fevereiro de 1917, Dora - popular Luz del fuego - tornou-se musa de Carlos Drummond de Andrade; Era geniosa e apaixonada por serpentes. Dada as suas atitudes liberais com relação ao sexo, e graças as declarações de seu irmão, foi diagnosticada como esquizofrênica, o que lhe custou dois meses de internação no Hospital Psiquiátrico Raul Soares. Mais tarde foi internada novamente em outro hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro. Durante sua vida teve alguns casos famosos, sendo um dos mais controversos e violentos com Mariano. Em 1944, tornou-se a atração da noite no palco do picadeiro do Circo Pavilhão Azul, sendo anunciada como "a única, a exótica, a mais sexy e corajosa bailarina das Américas: Luz Divina e suas incríveis serpentes!" Em 1947, por sugestão do palhaço Cascudo, mudou o nome para Luz del Fuego, alcunha de um batom argentino recém-lançado no mercado. Luz já havia salvado vários circos da falência com seus espetáculos, quando foi contratada pela primeira vez pelo casal Juan Daniel e Mary Daniel, donos do Follies, um pequeno teatro em Copacabana. Publicou seu diário com o título de "Trágico Black-Out", onde haviam trechos comprometedores, como a sedução pelo cunhado, e fatos que aludiam a uma prostituição assumida. Em 1950, começou a colocar em prática as idéias naturalistas de vegetarianismo e nudismo apresentados em Trágico Black-Out. Luz começou a tornar públicas suas idéias, reunia um pequeno grupo de amigas na praia de Joatinga, próximo a sua casa na avenida Niemeyer. Era uma praia deserta devido ao difícil acesso. Publicou o livro "A Verdade Nua" onde lançava as bases de sua filosofia naturalista e que as próprias autoridades deram sumiço no livro. Luz se cercava de amigos homossexuais e de seu principal parceiro no palco, Domingos Risseto. Criou o PNB, Partido Naturalista Brasileiro, e conseguiu isto à custa de espetáculos gratuitos, seminua, nas escadarias do Teatro Municipal. Várias estrelas do cinema americano conheceram a sua ilha: Errol Flynn, Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Powel, César Romero, Glenn Ford, Brigitte Bardot e Steve MacQueen. Em 19 de Julho de 1967 Luz foi morta em uma emboscada, assassinada por motivos de vingança.
sua seleçao foi muito boa =] gostei
ResponderExcluirRealmente,
ResponderExcluirExistem mulheres que marcaram a história e nem nos lembramos delas .
Ainda estou lendo, pois me interessei sobre algumas coisas ^.^
Continue assim .
CYA ~
muito bom saber das mulheres da nossa história
ResponderExcluirconfesso q não conhecia muito de nenhuma delas
Sempre bom conhecer um pouco mais da nossa cultura.
ResponderExcluirGostei como abordou o assunto!
Parabéns!
Seguindo seu blog!
Excelente tópico. As mulheres somente conquistaram algum espaço efetivo de 1980 até hoje. É muito bom saber que já existiam mulheres que procuravam fazer a diferença, mesmo com toda opressão e machismo que havia nessa época. Parabéns ao blog.
ResponderExcluirSamuel
http://www.rabiscosderealidade.blogspot.com/
A Luz del Fuego é uma mulher incrível da minha terra!...
ResponderExcluirE por falar em mulheres e "minha terra", tem um post novo lá no meu Blog que talvez te interesse...
Beijo!
http://francorebel.blogspot.com/
Minha terra = Espírito Santo (pois é, ela viveu por aqui!).
ResponderExcluirBom dia Karla!
ResponderExcluirNossa, que gostosa foi a leitura da sua postagem. É muito bom homenagear as mulheres que fizeram, de certo, modo a diferença em suas respectivas épocas, cada uma com um motivo diferente, porém a mesma força e garra.
Em um mundo ainda machista, lembrar de personalidades femininas só temos a ganhar.
E faz com que cada mulher, em cada canto desse país, pare para pensar e refletir, chegando a conclusão de que podem mudar, pois essa fúria feminina está em cada uma de vocês.
são msm grandes mulheres
ResponderExcluirXD
Grandes mulheres. Achei muito interessante a história da Maria Quitéria. Depois vou procurar algo mais sobre a história. Tem um história de uma menina de 15 anos que lutou na guerra do contestado, usava um vestido branco e flor no cabelo, montada num cavalo; é mais ou menos isso, rs. Acho muito poético... rs
ResponderExcluirAlem de uma escrita perfeita, como sempre :}, uma aula de historia, eu ja cohecia essas grandes mulheres, que por si próprias escreveram seus nomes na historia mas foi uma bela leitura!
ResponderExcluirInteligência, humor e uma pitada essencial de inutilidade!
http://mentalidadelivre.blogspot.com/
Muito interessante saber sobre mulheres tão importantes, mas que hoje não tem o reconhecimento devido!
ResponderExcluir=)
http://palavrasaouniverso.blogspot.com/
Beijos!
São mulheres que realmente fizerama diferençã, mas Maria Quitéria foi a melhor na minha opinião...
ResponderExcluiròtimo post
Muito interessante a sua postagem. Tenho orgulho de toda esta ala feminina que um dia buscou e ainda busca por direitos iguais. E não só das mulheres, mas também de toda minoria oprimida. :)
ResponderExcluirAcho que não só da década de 80 em diante que algumas mulheres resolveram buscar por seus direitos, mas bem antes disso. E não podemos esquecer das tantas dezenas de mulheres que morreram carbonizadas em uma fábrica no dia 8 de Março de 1857, e tudo porquê? Buscando direitos iguais, o que foi negado da forma mais covarde. Muita gente vê isso como uma comemoração, claro porque nos dias de hoje é o Dia Internacional da Mulher, e algumas ficam felizes por ter um dia só delas. Mas, existe dia homem? Não. Porque será, hein? Ao invés de comemorar, vamos refletir e saber a origem deste dia, ok.
Pra ser bem sincero, eu não as conhecia mt, mas foi mt interessante a vida delas.. ;D
ResponderExcluirMuito interessante informar as mulheres que fizeram a historia também.
ResponderExcluirE quanto aos sonhos, realmente, acontece muito por vc voltar ao seu corpo muito rapido, logo acorda com esse susto e muitas vezes o movimento do corpo.
:D To te seguindo.. Gostei do blog tb :)
www.diarioastral.com
Excelente lista. Dentre as 5, dou um destaque maior à Leila Diniz por ter a coragem de mudar paradigmas de uma sociedade rígida como o brasileira da época. Parabéns pelo trabalho.
ResponderExcluirMuito produtivo teu blog! De verdade, eu aprovo!
ResponderExcluirEssas são verdadeiras mulheres brasileiras, sinto orgulho.
Parabéns pelo trabalho
É isso aí, temos que lembrar os feitos das mulheres tb!
ResponderExcluirMulheres guerreiras e ao mesmo tempo carinhosas
"A mulher é de uma complexidade tamanha que consegue sobrepor com sua inteligência a força física, para fazer valer os seus ideais" (Ana Laurentino)
ResponderExcluirOi Karla,
ResponderExcluirÓtimo post!
Isto me fez lembrar uma frase do livro "Paixões - Amores e Desamores Que Mudaram a História", escrito por Rosa Montero, ao falar de Hernán Cortés e Malinche:
(...) Na realidade, as crônicas mal falam dela: está sepultada pelo espesso silêncio histórico que em geral cerca as mulheres (e os perdedores).(...).
Bjkas e uma ótima 3ª-feira para vc.
Realmente Cacilda Becker foi e sempre será um musa inspiradora, uma pessoa realmente importante para nós.
ResponderExcluirParabéns pelo blog, e pelo novo layout
Abs
MaisEstudo
nossa tantas mulheres incriveis que fizeram a difereça, deveriamos aprender mais sobre elas ja que fazerm parte de nossa historia e merecem todo o nosso respeito^_^
ResponderExcluirbela seleção
xau
eh uma otima seleção
ResponderExcluir^^
É sempre bom ler vc!! bjs
ResponderExcluirPostagem bacana...
ResponderExcluirBlog tmb éh cultura =]
Se as mulheres soubessem do poder que elas possuem sem dúvida alguma já tinha tomado conta do mundo.
ResponderExcluirsensacional, mandou muito bem, é ótimo qdo alguem nos relembra ou apresenta personagens importantes da nossa historia
ResponderExcluirñ conhecia essa Luz Del Fuego,gostei do blog..achei que já tinha passado por aqui mas aho que não....
ResponderExcluirMuuuito bacana, lendo eu conheci importantes figuras femininas, umas eu nem conhecia.
ResponderExcluir"Eu hoje represento o segredo
ResponderExcluirEnrolado no papel
Como Luz del Fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!"
Olá,
ResponderExcluirMuito interessante.
Gostei da lista. Mas, para mim faltou a Ana Neri.
Um abraço.
Voltei.
ResponderExcluirFui muito econômica no comentário.
Lista aprovada com a ressalva que fiz no comentário anterior. Gostei muito do conteúdo do texto, do blog e estou te seguindo.
Um grande abraço.
são tantas q deveria ser as 100 mais
ResponderExcluire muita mulher ainda ia fica d fora
Belo Post!
ResponderExcluirParebéns pela seleção das mulheres, muito boa!
ResponderExcluirExcelente escolha! "Toda mulher é um pouco Leila Diniz". Sou fã.
ResponderExcluirVisite:
http://deturistaaviajante.blogspot.com/
cade as mulheres de antiga mente foram mais fortes do que as de hoje em dia eu acho a princesa isabel massa porque ela declarou liberdade para os negros africanos
ResponderExcluir