Existem definições que só alcançam a magnitude de sua expressão na língua em que foram criadas. É o caso de "Saudade", de "Feeling Blue" e de "Je Suis Désolé"; Três formas linguísticas que varrem esta gama insondável de sentimentos assoladores costumeiros aos que possuem uma alma atormentada e insana. Seja fruto de um domingo cinza, culpa de um luar nostálgico, ou mesmo desencadeado por uma chuva de acontecimentos, o melhor remédio para sanar aquela tristeza mais pesada com uma pitada de arrependimento inócuo são os Comfort Movies - ou Filmes de Conforto. Fugir para uma realidade alheia a rotina ingrata traz a sensação de zelo interno, ainda que por instantes.
Eu, como boa adepta do
Escapismo Cinéfilo, montei uma lista com 10 Filmes que uso para o meu bem estar psíquico. Trata-se de um top extremamente pessoal, havendo selecionado a ordem nos conformes de serenidade por mim vivenciada pós-filme.
Aqui segue a lista (e não deixem de citar os seus Comfort Movies):
- 10.º - Clube de Leitura de Jane Austen: Tem quem ache clichê e/ou mulherzinha demais a obra literária de Jane Austen. Não compartilho deste sentimento. Sempre encontrei uma profundidade peculiar em cada uma das personagens por ela criada, identificando-me com as incongruências delas. Nascia nisto o primeiro atributo para que o 10.º filme de conforto meu estivesse enraizado nos livros de Austen. Todavia, o que mais me agrada nesta película é a ideia de que um livro e a influência inesperada de pessoas diversificadas possa mudar o rumo - ou pelo menos a limitada visão do momento - das ações por cada um tomadas. Saindo da hibernação.
- 9 .º - Chocolate: Um total Feel Good para mim! A combinação de chocolate e Johnny Depp já renderia um espaço em meu coração. Entretanto, o ponto que mais admiro no filme é a atmosfera que se cria, se transforma, com a chegada inesperada da talentosa Vianne Roucher.
- 8.º - Buffalo '66: Para os admiradores de filmes indie, recomendo este trabalho excelente de Vincent Gallo. Sensível e curioso, traz dois personagens inusitadamente apaixonantes, criando-se uma fundamentação maravilhosa para a compreensão da disfuncionalidade de Billy Brown. A cena que mais me conforta é a do motel, um verdadeiro ponto de mutação. Ademais, Ricci está em sua melhor forma.
- 7.º - Uma Canção de Amor para Bobby Long: Boa música, citações profundas, relações das mais variadas nuances, caminhos cruzados, escolhas, mudanças... Tudo isto ambientado na bela e mística New Orleans. O que mais gosto na película é sua simplicidade, sem grandes efeitos ou reviravoltas, soa próximo, soa vida.
- 6.º - Casablanca: Preciso explicar este daqui? Vagando por entre desilusão e arrependimento, consegue-se ser nostálgico, racional e, acima de tudo, sábio. Amo!
- 5.º - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: A visão otimista e tímida de Amélie Poulain contrasta com as cores e sons do filme. Tudo é adorável e gostoso de experimentar, ainda mais, quando algumas "lições" surgem disfarçadas de encantamento.
- 4.º - A Princesa e O Guerreiro: Quem começar a experimentação deste filme irá pensar: "O que esta louca viu de comfort movie aqui?". Calma, gente! O conjunto da obra acalenta a alma quando da rendição ao processo de descobertas e de escolhas, culminando em uma das cenas finais mais representativas que vi.
- 3.º - Razão e Sensibilidade: Jane Austen é sim a autora que me faz curtir a fossa e sair dela em instantes. Por isto, a história das irmãs Dashwood fixa-se como minha preferida: Aprender que um final feliz deve nascer do equilíbrio encontrado nas situações inóspitas.
- 2.º - O Clube dos Cinco: Nenhum diretor conseguiu personificar os conflitos internos adolescentes como John Hughes! Entre todos os seus trabalhos juvenis da década de 80 o que escolho para entrar numa vibração nova é O Clube dos Cinco. Divertido, combina desde temas atemporais - como esteriótipos - com uma trilha sonora e figuras inesquecíveis. Clássico Sessão da Tarde.
- 1.º - Alta Fidelidade: Há diversas motivações para que o sentimento de vazio existencialista invada a cena. Para cada um destes motivos poderia citar filmes que me acalentariam; Contudo, somente um eu encaixaria em todas as situações: Alta Fidelidade. Película nenhuma exerce o mesmo poder curativo em mim como esta. As neuroses, os gostos, os top 5, o mais piegas da história parece ser um retrato secreto da minha forma de viver. Sim, eu tenho as manias de Rob Gordon; Talvez eu seja Rob Gordon.
Com relação aos probleminhas técnicos, resolvi a maioria; Exceto para comentar em outros blogs - não sei o que aconteceu, mas se não for comentários em janela Pop-Up, meu login não funciona! Se alguém souber como resolver agradeceria de coração.
No mais, espero que tenham gostado!